Senado vai analisar projeto que muda cálculo do
ICMS sobre combustíveis
Aprovado na Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (13), será
apreciado pelo Senado o projeto que altera o cálculo da cobrança de ICMS sobre
combustíveis. O objetivo é reduzir o preço final para o consumidor nos postos.
Os críticos da proposta que altera o cálculo do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços alegam que estados e Distrito Federal perderão
arrecadação sem ter culpa pela alta dos preços. O presidente do Senado, Rodrigo
Pacheco, prometeu dar ao projeto o "tratamento devido".
O texto aprovado — o substitutivo do relator, deputado Dr. Jaziel
(PL-CE), ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/2020, do deputado Emanuel
Pinheiro Neto (PTB-MT) — determina que o ICMS cobrado em cada unidade da
Federação seja calculado com base no preço médio dos combustíveis nos dois anos
anteriores. Atualmente, a referência é o preço médio nos 15 dias
anteriores. Na prática, isso reduz o impacto de variações repentinas sobre o
ICMS efetivamente cobrado.
O texto obriga, além disso, estados e Distrito Federal a fixar as
alíquotas anualmente, fazendo-as vigorar por 12 meses a partir da publicação. O
presidente da Câmara, Arthur Lira, ressaltou que a proposta foi objeto de
acordo com os líderes partidários.
O relator na Câmara calcula que a mudança levaria, se aplicada hoje, a
uma redução média do preço final de 8% para a gasolina comum, 7% para o etanol
hidratado e 3,7% para o diesel B. "A medida colaborará para a
simplificação do modelo de exigência do imposto, bem como para uma maior
estabilidade nos preços desses produtos", afirmou Dr. Jaziel.
Em setembro deste ano, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), os
preços médios da gasolina comum, do etanol hidratado e do óleo diesel foram,
respectivamente, de R$ 6,08, R$ 4,70 e R$ 4,73. Em janeiro de 2019, esses
valores eram de R$ 4,27, R$ 2,81 e R$ 3,44. Parte do aumento se deve à cotação
do barril de petróleo, já que a política de preços da Petrobras leva em conta
os valores praticados no mercado internacional. Outra parte se deve à variação
cambial, com a queda do real frente ao dólar.
Pacheco
Na noite desta quarta-feira, Rodrigo Pacheco afirmou
que a proposta terá "o tratamento devido". O presidente do
Senado lembrou que, para o preço dos combustíveis sofrer menos oscilações, é
preciso levar em conta, além da questão tributária, fatores como o "papel
social" da Petrobras (e sua política de preços) e a situação de
instabilidade política, que influiu na queda do real. Mas ele reconheceu ser
necessário analisar uma possível mudança nas regras tributárias.
— Há um viés tributário muito forte no preço dos combustíveis, e isso
pode ser remodelado. Essa é a intenção da Câmara dos Deputados com esse
projeto, e nós vamos obviamente recebê-lo no Senado Federal e dar o tratamento
devido, de apreciação, de debate, de amadurecimento, de aprimoramento. É esse o
nosso papel neste momento. A tese de que todos comungamos é que temos que
estabilizar esse preço dos combustíveis, e torná-lo palatável. Não tem como
desenvolver o país com o combustível com esse preço de hoje — afirmou
Pacheco.
Repercussão
Senadores se manifestaram sobre a questão do ICMS e o preço dos
combustíveis. O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) se disse
"favorável à redução de impostos":
— Os governos estaduais dizem que a culpa não é do ICMS. E o governo
federal diz que é, sim. Nessa briga política, está você, que abastece o carro
muito caro. Um passo foi dado pela Câmara. Já que terá perda de arrecadação,
diminuam a máquina pública. O que não pode é cair no bolso do brasileiro —
afirmou.
Para o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), "os estados não podem assumir
sozinhos esse ônus":
— A gente com certeza vai apresentar emendas para modificar o projeto.
Aqui no Distrito Federal a gente vai perder quase R$ 400 milhões ao ano. A
Petrobras precisa colocar alguma coisa [na redução do preço] — afirmou o líder
do PSDB.
"O presidente da República quer reforçar a tese absurda de que o
combustível está alto por culpa dos governadores", afirmou o senador Jean
Paul Prates (PT-RN) no Twitter, apontando que, no governo Bolsonaro, "o
gás de cozinha subiu 73% e a gasolina aumentou 57%, enquanto o ICMS não
mudou". Para o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR),
"a arrecadação dos impostos sobre o preço dos combustíveis é o melhor
dos mundos para o fisco, mas o pior dos mundos para os brasileiros".
No ano passado, quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, chegou
a defender a isenção do ICMS sobre os combustíveis, senadores lembraram que
também há a incidência de tributos federais. O senador Otto Alencar
(PSD-BA) desafiou o governo federal a abrir mão do PIS/Cofins e da Contribuição
de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para reduzir os preços nos postos.
Apesar de admitir que é alta a carga tributária dos combustíveis, o senador
Eduardo Braga (MDB-AM) destacou na época que pelo menos 20% da arrecadação dos
estados são provenientes do ICMS sobre a gasolina, álcool, diesel e gás. Sem
esses recursos, segundo o senador, os estados não teriam como bancar serviços
básicos.
Com informações da Agência Câmara de Notícias
Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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