Quarentena para militares, policiais e juízes é excluída do novo Código
Eleitoral
A
determinação de que magistrados, integrantes do Ministério Público, militares e
policiais só pudessem ser candidatos a cargos eletivos cinco anos após deixarem
a função gerou polêmica em Plenário durante a análise do novo Código Eleitoral
(PLP 122/21). A quarentena foi alvo de múltiplas votações pelos deputados nesta
quinta-feira (9) e acabou saindo do texto final.
Para o
deputado Capitão Wagner (Pros-CE), a determinação
inviabilizaria direitos iguais na candidatura de policiais, juízes, militares e
promotores. A quarentena, segundo ele, só seria justa se atingisse todos os
servidores públicos. “Acredito que, para se matar o carrapato, estão querendo
matar a vaca. Eu acho que isto é muito ruim para a nossa democracia: tolher o
direito de todos esses cidadãos de se candidatar em condição de igualdade em
relação aos demais servidores públicos”, declarou.
Líder do
PSL, o deputado Vitor Hugo (GO) também criticou a medida. “Na
nossa visão, traz para dentro da legislação eleitoral a previsão de criar
cidadãos de classes diferentes: aqueles que podem se candidatar e aqueles que
têm graves restrições para se candidatar – justamente aqueles que arriscam as
suas vidas, que estão à frente para nos proteger: os policiais, os militares,
os juízes, os promotores”, disse.
Para a
deputada Renata Abreu (Pode-SP), impor a quarentena
deixaria os futuros candidatos sem empregos. “Como dar um tratamento
diferenciado para determinada categoria? Exigir que a pessoa saia do seu cargo
por cinco anos, fique sem emprego, sem renda, para poder se candidatar”,
criticou. Ela ressaltou que há profissões com mais visibilidade que não tiveram
quarentena imposta, como radialista e apresentadores de televisão.
Carreiras
de Estado
Já o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) defendeu a quarentena
estendida a todas as carreiras de Estado. “O PT tem a visão de que as carreiras
de Estado devam ter quarentena: carreira do Ministério Público, de membros do
Judiciário, a carreira da Receita Federal, todas aquelas que exerçam poder de polícia.
É o que acontece no mundo”, explicou.
No
entanto, diante da queda da quarentena para juízes e promotores, o partido
mudou de posição em nome da isonomia para derrubar a regra imposta também para
militares e policiais.
Para o
líder da Minoria, deputado
Marcelo
Freixo (PSB-RJ), a discussão sobre a quarentena ainda precisa ser
ampliada no Parlamento. “Esse debate da quarentena precisa ser feito com muito
mais calma, com muito mais fôlego”, disse. Ele lembrou que há uma preocupação
sobre o uso político de policias.
O deputado
Marcel
van Hattem (Novo-RS) defendeu a inclusão do tema em outro projeto de
lei, a ser discutido por comissão especial e outras esferas de debate,
especialmente por determinar um afastamento por cinco anos. “Mesmo com a
correção que a relatora [deputada Margarete
Coelho (PP-PI)] fez para que essa regra valesse apenas a partir de
2026, nós entendemos que ela deve ser retirada do texto e que essa discussão
seja feita de outra maneira, em outro projeto de lei”, afirmou.
Reportagem
– Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli
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