Servidores temem demissões e pressão política com reforma administrativa
Servidores temem demissões e pressão
Audiência pública da comissão
especial que analisa a proposta
Representantes
de servidores públicos de diferentes carreiras afirmaram aos deputados da comissão
especial da reforma administrativa que temem
demissões e pressão política com os novos regimes de contratação definidos pela
PEC 32/20, do Poder Executivo. Em audiência
pública nesta terça-feira (3), os debatedores se dividiram entre pedidos de
rejeição total da reforma administrativa e a sugestão de alternativas para
modernizar o serviço público por outros projetos de lei.
A PEC 32/20 divide o serviço público entre
carreiras típicas de Estado e servidores contratados por prazo indeterminado.
No entanto, a estabilidade é limitada apenas à primeira categoria, que ainda
será definida por lei complementar.
O deputado
Professor Israel Batista (PV-DF) considera o debate
sobre a estabilidade perigoso e infrutífero. "A estabilidade é essencial
para toda a equipe. O auditor pode dar uma multa, mas o servidor administrativo
colocar a multa no fundo da gaveta a pedido do governador", argumentou. Já
o deputado Rogério Correia (PT-MG) defendeu a manutenção
da estabilidade para os professores. "Quebrar a estabilidade será um
desastre e vai destruir a educação", alertou.
Gustavo Sales/Câmara dos
Deputados
Israel Batista: debate sobre
estabilidade é perigoso e infrutífero
Disputas
Secretária da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE),
Rosilene Corrêa Lima afirmou que a divisão das carreiras do serviço público
pode gerar disputas entre os servidores. "A PEC abre as portas para
terceirização e contratação precária", criticou. Ela afirmou que a mudança
significa a volta do regime de contratação anterior à Constituição de 1988, que
era marcado pelo crivo político. "Fui contratada como professora em Goiás
em 1982 ainda sem concurso. Quando o governo mudou, houve demissão em massa.
Ficamos reféns da vontade de um governador", lembrou. Rosilene Corrêa Lima
ainda afirmou que teme o clientelismo e o assédio no trabalho. "Qual
critério o gestor vai adotar para permanência no serviço público?",
indagou.
O
presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF),
Edvandir Felix De Paiva, questionou os números apresentados pelo governo para
defender a reforma administrativa. Ele afirmou que a PEC 32/20 ameaça a autonomia da Polícia
Federal ao permitir a mudança de cargos por decreto. "Vai ser a destruição
da Polícia Federal", alertou. "A estabilidade não é privilégio. Custo
a imaginar que o Parlamento vai dar um cheque em branco para o governo agir por
decreto."
Gustavo Sales/Câmara dos
Deputados
Rudinei Marques teme que a
reforma incentive a corrupção
Precarização
A professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Cibele Franzese observou que estados
e municípios já usam outros regimes jurídicos para serviços de saúde e
educação, especialmente em creches. Ela citou dados do Conselho Nacional de
Secretarias Estaduais de Saúde (Conass) observando que apenas 54,9% dos
trabalhadores estaduais de saúde são estatutários. "O cargo por tempo
indeterminado existe em vários países, mas não se sabe se vai precarizar o
trabalhador. Não é o remédio para o baixo desempenho e não fortaleceria as
áreas sociais que prestam serviço à população."
O
presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado
(Fonacate), Rudinei Marques, teme que a PEC 32/20 incentive a corrupção por causa da
precarização dos vínculos. "É um vale-tudo na área pública que nós não
podemos permitir." Rudinei Marques apoiou emenda à proposta, apresentada
pelo deputado Lincoln Portela (PL-MG), que preserva a
estabilidade de cargos que já são previstos na Constituição e permite que
outros sejam acrescentados por lei complementar.
Alternativas
O presidente da Federação Brasileira de Sindicatos das Carreiras da
Administração Tributária da União, dos Estados e do Distrito Federal
(Febrafisco), Unadir Gonçalves Junior, também criticou a ausência de conceito
da carreira típica de Estado, que ainda será definido por lei complementar.
"Com a proteção insuficiente para função pública nos demais vínculos
haverá aumento do personalismo. É uma ferramenta do patrimonialismo,
clientelismo e autoritarismo", criticou.
O
consultor legislativo para Economia do Trabalho Pedro Fernando de Almeida Nery
Ferreira ponderou que o uso de regras típicas do setor privado não impede que
seja oferecido serviço público gratuito, universal e de qualidade. "No
modelo atual há risco de ineficiência, mas no novo modelo há risco de
pessoalidade", observou. Ferreira sugeriu alternativas para PEC 32, como a
votação do PLP 92/07, que cria a figura das "fundações estatais" para
apoio a ações sociais, e do PLP 248/98, que permite a demissão de servidor
público estável no caso de desempenho insuficiente.
Outras
alternativas seriam manter o sistema atual, com a revisão do número de faltas
permitidas sem justificativa, e a ampliação do alcance do Portal da
Transparência, que poderia incluir informações sobre jornada, presença,
produtividade e até avaliações de desempenho de servidores.
Reportagem
- Francisco Brandão
Edição - Geórgia Moraes
Representantes
de servidores públicos de diferentes carreiras afirmaram aos deputados da comissão
especial da reforma administrativa que temem
demissões e pressão política com os novos regimes de contratação definidos pela
PEC 32/20, do Poder Executivo. Em audiência
pública nesta terça-feira (3), os debatedores se dividiram entre pedidos de
rejeição total da reforma administrativa e a sugestão de alternativas para
modernizar o serviço público por outros projetos de lei.
A PEC 32/20 divide o serviço público entre
carreiras típicas de Estado e servidores contratados por prazo indeterminado.
No entanto, a estabilidade é limitada apenas à primeira categoria, que ainda
será definida por lei complementar.
O deputado
Professor Israel Batista (PV-DF) considera o debate
sobre a estabilidade perigoso e infrutífero. "A estabilidade é essencial
para toda a equipe. O auditor pode dar uma multa, mas o servidor administrativo
colocar a multa no fundo da gaveta a pedido do governador", argumentou. Já
o deputado Rogério Correia (PT-MG) defendeu a manutenção
da estabilidade para os professores. "Quebrar a estabilidade será um desastre
e vai destruir a educação", alertou.
Disputas
Secretária da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE),
Rosilene Corrêa Lima afirmou que a divisão das carreiras do serviço público
pode gerar disputas entre os servidores. "A PEC abre as portas para
terceirização e contratação precária", criticou. Ela afirmou que a mudança
significa a volta do regime de contratação anterior à Constituição de 1988, que
era marcado pelo crivo político. "Fui contratada como professora em Goiás
em 1982 ainda sem concurso. Quando o governo mudou, houve demissão em massa.
Ficamos reféns da vontade de um governador", lembrou. Rosilene Corrêa Lima
ainda afirmou que teme o clientelismo e o assédio no trabalho. "Qual
critério o gestor vai adotar para permanência no serviço público?",
indagou.
O
presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF),
Edvandir Felix De Paiva, questionou os números apresentados pelo governo para
defender a reforma administrativa. Ele afirmou que a PEC 32/20 ameaça a autonomia da Polícia
Federal ao permitir a mudança de cargos por decreto. "Vai ser a destruição
da Polícia Federal", alertou. "A estabilidade não é privilégio. Custo
a imaginar que o Parlamento vai dar um cheque em branco para o governo agir por
decreto."
Rudinei Marques teme que a
reforma incentive a corrupção
Precarização
A professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Cibele Franzese observou que
estados e municípios já usam outros regimes jurídicos para serviços de saúde e
educação, especialmente em creches. Ela citou dados do Conselho Nacional de
Secretarias Estaduais de Saúde (Conass) observando que apenas 54,9% dos
trabalhadores estaduais de saúde são estatutários. "O cargo por tempo
indeterminado existe em vários países, mas não se sabe se vai precarizar o
trabalhador. Não é o remédio para o baixo desempenho e não fortaleceria as
áreas sociais que prestam serviço à população."
O
presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado
(Fonacate), Rudinei Marques, teme que a PEC 32/20 incentive a corrupção por causa da
precarização dos vínculos. "É um vale-tudo na área pública que nós não
podemos permitir." Rudinei Marques apoiou emenda à proposta, apresentada
pelo deputado Lincoln Portela (PL-MG), que preserva a
estabilidade de cargos que já são previstos na Constituição e permite que
outros sejam acrescentados por lei complementar.
Alternativas
O presidente da Federação Brasileira de Sindicatos das Carreiras da
Administração Tributária da União, dos Estados e do Distrito Federal
(Febrafisco), Unadir Gonçalves Junior, também criticou a ausência de conceito
da carreira típica de Estado, que ainda será definido por lei complementar.
"Com a proteção insuficiente para função pública nos demais vínculos
haverá aumento do personalismo. É uma ferramenta do patrimonialismo,
clientelismo e autoritarismo", criticou.
O
consultor legislativo para Economia do Trabalho Pedro Fernando de Almeida Nery
Ferreira ponderou que o uso de regras típicas do setor privado não impede que
seja oferecido serviço público gratuito, universal e de qualidade. "No
modelo atual há risco de ineficiência, mas no novo modelo há risco de
pessoalidade", observou. Ferreira sugeriu alternativas para PEC 32, como a
votação do PLP 92/07, que cria a figura das "fundações estatais" para
apoio a ações sociais, e do PLP 248/98, que permite a demissão de servidor
público estável no caso de desempenho insuficiente.
Outras
alternativas seriam manter o sistema atual, com a revisão do número de faltas
permitidas sem justificativa, e a ampliação do alcance do Portal da
Transparência, que poderia incluir informações sobre jornada, presença,
produtividade e até avaliações de desempenho de servidores.
FONTE.
AGÊNCIA CÂMARA
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