Deputadas pedem derrubada do veto à cobertura de quimioterapia oral por
planos de saúde
Silvia Cristina, relatora do
projeto, criticou o que chamou de "veto à vida"
As
coordenadoras das frentes parlamentares da Saúde
e em Prol da Luta contra o Câncer querem a derrubada do veto integral
do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de lei (PL 6330/19) que obriga os
planos de saúde a cobrir os gastos com a quimioterapia oral, o que permite o
tratamento domiciliar do câncer.
A proposta teve ampla aprovação na Câmara e no
Senado, mas acabou vetada sob o argumento de prejuízos
financeiros para as operadoras dos planos de saúde. Para a coordenadora da
Frente Parlamentar Mista da Saúde, deputada Carmen
Zanotto (Cidadania-SC), o veto integral é injustificável.
“Precisamos
lembrar que quimioterapia oral dá qualidade de assistência aos pacientes
oncológicos evitando que eles tenham que ir aos serviços cinco vezes por semana
para receber a sua quimioterapia injetável", disse Zanotto. Para a
deputada, saúde precisa ser medida pela qualidade da assistência prestada.
"O projeto não vai falir nenhum plano de saúde nem onerá-los da forma como
está sendo dita.”
Relatora
Pelas redes sociais, a coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Prol da Luta
contra o Câncer, deputada Silvia Cristina (PDT-RO), se disse “indignada”
com o que chamou de “veto à vida”. A deputada é paciente oncológica e foi a
relatora na Câmara da proposta de quimioterapia oral, apresentada pelo senador
Reguffe (Pode-DF).
“Fui a
relatora, fiz um relatório contundente e conseguimos uma aprovação quase
unânime: 398 votos. Nós sabemos que o tratamento do câncer tem pressa e
queremos salvar muitas vidas”, disse a deputada.
Silvia
Cristina lembra que cerca de 250 mil pessoas morrem de câncer por ano no
Brasil. De acordo com a proposta aprovada na Câmara e no Senado, os
medicamentos orais deverão ser fornecidos em até 48 horas após a prescrição
médica, desde que registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa).
O texto
também torna obrigatória a cobertura, pelos planos de saúde, de procedimentos
radioterápicos e de hemoterapia.
Médico, o
deputado Dr. Zacharias Calil (DEM-GO) também defende a
quimioterapia oral. “A quimioterapia oral é uma importante alternativa
terapêutica para o câncer de mama, colo [de útero], rim e pulmão, além de ser a
única opção efetiva para o câncer de fígado, cérebro e leucemia mieloide
crônica.”
Justificativa
do veto
Na justificativa do veto integral, Bolsonaro afirma que o projeto de lei
“contraria o interesse público por deixar de levar em consideração aspectos
como a previsibilidade, a transparência e a segurança jurídica” dos planos de
saúde.
O deputado
Calil criticou principalmente os itens do veto que apontam riscos à
sustentabilidade financeira do mercado. “Segundo os dados recentes que
pesquisei, em 2020, as operadoras [de planos] de saúde tiveram um lucro de
49,5%, ou seja, R$ 17,5 bilhões com mais de 50 milhões de usuários. Então, isso
[sustentabilidade financeira] não é argumento para que as operadoras passem a
sofrer. Se há a opção de tratar o paciente em casa, para que levá-lo ao
tratamento hospitalar, com aumento de custo e uma série de outros fatores?”,
observou Calil.
Votação
O veto integral de Bolsonaro terá que ser analisado em sessão do Congresso
Nacional. Para derrubá-lo, serão necessários os votos de 257 deputados e 41
senadores.
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