PEC dos Precatórios prevê parcelamento e muda
índice de correção
Entregue pelo governo federal ao Congresso Nacional nesta semana, a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios precisa de 308 votos na
Câmara dos Deputados e 49 no Senado para ser aprovada. O texto permite o
parcelamento no pagamento de precatórios e muda o índice de correção.
Precatórios são dívidas da União com pessoas físicas, jurídicas, estados
e municípios reconhecidas em decisões judiciais transitadas em julgado, ou
seja, definitivas, e que devem ser pagas pelo governo, com previsão anual no
Orçamento. Com a PEC, o governo visa a compatibilizar essas despesas com o teto
de gastos (regra que limita o crescimento da maior parte das despesas à
inflação do ano anterior).
Pela PEC 23/2021, os precatórios de valor
superior a R$ 66 milhões (1.000 vezes o pagamento considerado como de pequeno
valor, para efeitos judiciais) poderão ser pagos em dez parcelas, sendo 15% à
vista e o restante em parcelas anuais.
Outros precatórios poderão ser parcelados se a soma total dos
precatórios for superior a 2,6% da receita corrente líquida da União. Nesse
caso, o critério será pelo parcelamento dos precatórios de maior valor.
De acordo com o governo, todos os precatórios de pequeno valor, abaixo
de R$ 66 mil, ficam de fora da regra do parcelamento.
Correção
A PEC também estabelece a mudança do indexador dos precatórios devidos
pela União. Pela proposta do governo, os precatórios passariam a ser corrigidos
pela taxa básica de juros, atualmente em 5,25% ao ano. Atualmente, os índices
usados dependem da natureza do pagamento, e podem ser corrigidos tanto pela
Selic quanto pelo IPCA +6%. Na prática, credores podem receber menos com a
mudança.
Estados e municípios
Outra mudança é a abertura da possibilidade de um chamado "encontro
de contas" com os estados e municípios. O texto permite que os contratos,
acordos, ajustes, convênios, parcelamentos ou renegociações de débitos firmados
pela União com os entes federativos contenham cláusulas para autorizar o
abatimento nos precatórios dos valores devidos pela União.
Fundo
Com a PEC, o governo também busca criar o Fundo de Liquidação de
Passivos da União, formado por valores decorrentes das vendas de imóveis,
recebimentos de dividendos de empresas estatais, concessões e partilha de
petróleo. Quando pagos com o recursos desse fundo, os precatórios estarão, pela
proposta, fora dos limites do teto de gastos.
“Uma vez que se trata, em grande medida, de recursos não recorrentes,
oriundos da redução do tamanho do Estado ou de sua atuação mais eficiente, não
há prejuízos para o novo regime fiscal ao excepcionalizar as restrições
orçamentárias sobre o uso desses recursos, sobretudo quando o objetivo é a
redução de passivos”, aponta o governo na mensagem encaminhada ao
governo.
Justificativa
Na mensagem, o governo alega que em 2022, de acordo com o Poder
Judiciário, está previsto o pagamento de cerca de R$ 90 bilhões em precatórios,
um aumento de 143% no comparativo com os valores pagos em 2018.
“Enquanto no presente exercício cerca de R$ 54,4 bilhões serão gastos
com pagamento de condenações em sentenças judiciais, o que equivale a 46% de
toda a despesa discricionária, para o próximo exercício (2022) estima-se que R$
89,1 bilhões serão necessários, o que equivaleria a mais de dois terços de todo
o orçamento federal destinado a despesas discricionárias”, justifica o
governo.
Ainda segundo o governo, apenas 47 precatórios de valor superior a R$ 66
milhões seriam alcançados, gerando uma economia de R$ 22,7 bilhões de reais em
espaço fiscal em 2022. Se a PEC for aprovada, o Ministério da Economia
estima uma economia total de R$ 33,5 bilhões em 2022.
O presidente Jair Bolsonaro entregou a proposta de emenda à Constituição
na segunda-feira (9), junto com a Medida Provisória (MP) 1.061/2021,
que substitui o programa social Bolsa Família pelo Auxílio Brasil e institui o
Programa Alimenta Brasil. Segundo o governo, a PEC dos Precatórios será uma das
fontes de financiamento do programa social.
Tramitação
As PECs só são aprovadas com maioria qualificada (três quintos dos
parlamentares) após dois turnos de votação tanto na Câmara — onde começou a
tramitar a PEC dos Precatórios — quanto no Senado. Se aprovada em 2021, a PEC
já deverá aplicar o parcelamento sobre esses valores no ano que vem.
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Pontos principais |
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Valores acima de R$ 66 milhões: poderão ser pagos em dez parcelas, 15%
à vista e o restante em parcelas anuais. |
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Outros precatórios: poderão ser parcelados se a soma total for
superior a 2,6% da receita corrente líquida da União. |
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Precatórios de pequeno valor (abaixo de R$ 66 mil) seguem fora da
regra de parcelamento. |
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Cria o Fundo de Liquidação de Passivos da União, com
recursos decorrentes das vendas de imóveis, dividendos de empresas
estatais e concessões do petróleo. |
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Todos os precatórios passam a ser corrigidos pela taxa básica de
juros, atualmente em 5,25% ao ano. |
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Abre a possibilidade de um "encontro de contas" com os
estados e municípios, promovendo um abatimento nos precatórios. |
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência
Senado)
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